A Psicologia do Medo: Por que acreditamos no que nos assusta?
O Ponto de Partida Em 2020, escrevi um texto (que você pode encontrar aqui) que falava sobre o impacto de uma pandemia que nos isolou e nos inundou de mensagens alarmistas. Naquele momento, o objetivo era filtrar boatos. Hoje, em 2026, percebo que a lição é muito mais profunda: não se trata apenas de “notícias falsas” que vêm de fora, mas das narrativas falsas que criamos dentro de nós quando estamos sob pressão.
Esse texto, além de tudo, acabava por ser muito pequeno e apenas com orientações diretas, sem reflexões profundas sobre aquele momento. Apesar de ser psicólogo com anos de prática, foi algo tão novo pra mim quanto pra todo mundo e eu sofri muito também com a impotência gerada pelo vírus. Porém, apesar disso, eu tentei usar o que eu aprendi ao longo dos anos para separar o que era fato e o que era apenas interpretação particular do que eu estava consumindo na mídia.
A Anatomia do Sofrimento O sofrimento é real, e eu nunca vou pedir para você ignorá-lo. Mas precisamos olhar para o pensamento que o sustenta. Quando o medo assume o volante, ele não enxerga a realidade; ele enxerga o perigo em cada sombra. Aquelas mensagens de WhatsApp que prometiam curas milagrosas ou previam o fim do mundo só ganhavam força porque encontravam eco na nossa fragilidade.
A pergunta que eu te convido a fazer hoje, diante de qualquer crise na sua vida, não é “isso é terrível?”, mas sim: “Isso que estou pensando agora reflete a minha realidade presente ou é apenas o meu medo tentando prever um futuro que ainda não existe?”
Jogando Luz na Realidade A reestruturação cognitiva, na prática, é um ato de coragem. É parar e dizer: “Eu sinto medo, mas eu não sou o meu medo”.
Muitas vezes, ficamos presos a pensamentos que nos paralisam — os famosos “e se?”.
- E se tudo der errado?
- E se eu não der conta?
A esperança não nasce de negar o problema, mas de olhar para ele com clareza. Quando jogamos luz sobre esses pensamentos, percebemos que boa parte do nosso peso vem de fardos que ainda nem aconteceram. A realidade do seu momento, agora, é que você está aqui, lendo isso, buscando melhorar. Essa é a sua potência.
A Sua Potência Pessoal Você sobreviveu àqueles anos difíceis. Você aprendeu a filtrar o que entra na sua mente. A proposta da Terapia Cognitiva não é te dar óculos cor-de-rosa, mas sim limpar as lentes que o medo embaçou.
Não acredite em tudo o que você sente quando está ansioso. Suas emoções são bússolas, não são fatos. Aprender a questionar a veracidade do que nos assusta é o primeiro passo para retomar o controle da própria história.




